O E
spectáculo

No confronto com os clássicos fica-se quase sempre a perder. Os ganhos – que também os há – traduzem-se numa inquieta necessidade de os continuar a descobrir. É um lucro por vezes pessoal e nem sempre facilmente entendível por quem assiste a um espectáculo.
Depois surge sempre as vozes cépticas, disponíveis para do alto da sua ‘competência’ crítica (que é o que mais por aí se vê) logo se apressam a dizer: “O quê? Moliére? Dom Juan? Só com um grande elenco. É preciso um extraordinário naipe de actores”. Pois claro que sim.


O presente espectáculo é, desde logo, um desafio ao grupo de trabalho da Cooperativa. Quinze actores, todos sem a pretensão de protagonismos fáceis, mas unidos na vontade de fazer o melhor possível.

É também um desafio no confronto com a mais irregular das peças de Moliére, mas por todos assinalada como obra-prima cuja actualidade procurámos evidenciar. Mas, confessêmo-lo, escolher uma linha de abertura deste extraordinário texto não foi fácil.

A obra de arte não se explica. A nossa proposta aí fica sujeita ao favor ou desfavor público. A honestidade dos processos a que recorremos procura evidenciar a dupla vertente que percorre o texto de Molière – a serenidade da denúncia a par do gozo das arlequinadas – e ao actualizá-lo julgamos nunca ter optado pela concessão ao fácil. Mas igualmente, muitas outras soluções possíveis foram limitadas pelos meios, sobretudo técnicos, de que pudemos dispor. Não veja o espectador nestas palavras qualquer desculpa ou alibi. Apenas o necessário para enquadrar um espectáculo feito sem facturas a pagar.

No ano em que a Cooperativa Bonifrates atinge a sua maior idade, o encontro com o texto de Molière permitiu, por entre uma serena inquietude, revitalizar o núcleo dos que procuram este espaço para fazer teatro sem a pretensão de brilharem a qualquer preço nas fáceis luzes das ribaltas postiças.

Tão verdade como dois e dois serem quatro e quatro e quatro serem oito. Não é Senhor Dom Juan?

José Oliveira Barata
         


Ficha Técnica

Textos de Molière

Encenação, dramaturgia e direcção de actores
José Oliveira Barata

Cenografia e figurinos
Carlos Madeira

Coordenação de Movimento
Ana Leonor Barata

Cartaz
Tiago Madeira

Música
Variações sobre tema(s) de Astor Piazzola e outro apontamento

Sonoplastia
Helena Marques

Desenho de Luz
Luís Viegas

Operação de Luz
Pedro Santos

Penteados
Ilídio Design

Caracterização
Gabinete de Estética Sãozinha

Carpintaria
Augusto Pereira

Costureiras
Delfina Teixeira
Conceição Castro
Graça Teixeira

Produção
Cooperativa Bonifrates

Coordenação da Produção
Francisco Paz
Luís Magalhães

Guarda-roupa
Cláudia Bilou

Adereços
Rosário Figueiredo
Armanda Costa

Comunicação Social
Cristina Janicas

Actores

Fernando Taborda
Esgaranelo

Luís Magalhães
Gusmão – criado de D. Elvira

João Paulo Janicas
D. Juan

Teresa Santos
D. Elvira

Nuno Bonito
Pierrot

Alexandra Silva
Carlota

Ana Pires
Maturina

Ana Paula Almeida
Violeto / La Ramée

João Gouveia
Francisco – um pobre

Luís Magalhães
D. Carlos – irmão de D. Elvira

Carlos “Bobby” Coelho
D. Afonso – irmão de D. Elvira

Olinda Amaral
Estátua do Comenador / Espectro

Francisco Paz
Senhor Domingo

Joaquim Basílio
D. Luís, pai de D. Juan

Maria José Almeida
Mãe de D. Juan

Maria Manuel Almeida
D. Elvira (2)