Ficha técnica

Colagem de textos diversos
da dramaturgia espanhola

Adaptação, dramaturgia
e encenação:
João Maria André

Direcção de actores
Victor Torres
João Maria André

Cenografia
Carlos Madeira

Figurinos
Carlos Madeira
Cristina Janicas
Paula Santos

Desenho de luz
Nuno Patinho

Selecção da banda sonora
Victor Torres
João Maria André

Fotografia
Nuno Patinho

Cartaz
Luís Mendonça

Penteados
Ilídio Design / Carlos Gago

Execução de Cenografia
Francisco Claros
Luís Serrano

Actores
Alexandre Ventura
Cristina Janicas
Francisco Paz
Helder Wasterlein
Inês Margarido
Maria José Almeida
Maria Manuel Almeida
Marta Carvalho
Nuno Bonito
Ofélia Libório
Paula Santos
Rosário Figueiredo
Virgínia Pinheiro

 
     
           
   

Nota de encenação



O que é um cromo? Um retrato a cores de uma vida a preto e branco...
O nosso quotidiano é um álbum de cromos. Por ele passam as criaturas da nossa infância e as (também) criaturas da idade adulta. Por ele passam os fantasmas que fomos e os nossos próprios fantasmas. Nele nos descobrimos. E com ele rimos do que fomos e somos, e também do que nem sempre temos a coragem de dizer na primeira pessoa do presente ou na primeira pessoa do passado. Mas é sempre na primeira pessoa que rimos.

Cromos é um espectáculo sobre os cromos que somos, sem querermos ser. Um espectáculo que se dobra na imagem deformada dos espelhos em que os vemos, na moldura a preto e branco que os circunscreve, no riso às vezes perverso e pervertido que nos e os sacode.
Todos somos, à nossa maneira, os cromos do nosso riso: os pais dos filhos, os filhos dos pais, e também as mães e os filhos e as filhas da mãe...

Quando o riso é um soco, o teatro pode ainda ser uma arma e o palco uma arena em que as gargalhadas lutam pelo protagonismo de que os sonhos parecem ter já desistido. Mas se não desistirmos de rir, mesmo de nós próprios, talvez consigamos a força que nos falta para sermos o que ainda não somos.

João Maria André