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COISA SÉRIA

Quero falar de duas evidências.
Primeira: a Cooperativa Bonifrates definiu o seu lugar no nosso meio teatral. Um lugar é difícil: requer tempo, fidelidade, entrega. O tempo necessário para que as palavras e os gestos, de cada vez que renascem em cada peça, prossigam o desenvolvimento de uma ideia. Por isso, a fidelidade: a ligação a um núcleo de obsessões que, como um sismógrafo, regista os movimentos subterrâneos da alma e do tempo. Daí a entrega: a obsessão não é só imperativa, é tambèm exclusiva e não há outra senão a resposta de uma voluntária submissão.

Ora, tem acontecido ao trabalho da Cooperativa Bonifrates um devir-obre, quero dizer, uma superação das iniciativas avulso no sentido da definição de um campo de gravitações: iluminações inesperadas, repetições, originalidades, surpresas, familiaridades. Há, hoje, certamente, uma obra que é reconhecida.

Segunda evidência: se nada disto se consegue sem tempo, fidelidade e entrega é porque a Cooperativa Bonifrates é hoje, tem vindo a ser, para os seus principais activistas, uma casa. Ora, como escreveu o poeta Ruy Belo, “uma casa é a coisa mais séria da vida”.

António Pedro Pita




De Ulm até Metz, de Metz à Morávia,
A Ti Coragem vai ao fim do mundo!...”


Bertold Brecht,
inTi Coragem e os Seus Filhos

Indiscutivelmente uma das mais bem sucedidas iniciativas no campo do associativismo cultural, surgidas em Coimbra pós 25 de Abril, a Cooperativa Bonifrates mantém hoje, passados 22 anos, a mesma postura de inconformismo e irreverência que marcou o seu aparecimento. Deixando para outros mais capazes a análise crítica às cerca de três dezenas de produções apresentadas, permitam-me que focalize o meu testemunho numa “imagem de marca” que associo à Bonifrates: a perseverança e tenacidade. Quem aguentaria o “calvário” de sucessivos fazer de malas, no curto intervalo de quinze anos, do palco para o improvisado espaço cénico nos sótãos do Sousa Bastos, daqui para o Avenida e finalmente para a Casa Municipal da Cultura? Só mesmo quem os viu nascer em 1980, quem os acompanhou no sonho frustado de possuir um teatrinho de bolso próprio no Edifício Avenida, pode perceber que não fora uma vontade férrea e indómita de se dar ao teatro de forma plena e a desistência teria sido o caminho mais fácil...
A “Bonifrates”, nómada tal qual os ancestrais grupos teatrais de que herdou o nome, inspirada no grito de “Ti Coragem”, tenho a certeza que irá “até ao fim do mundo”!

Pedro Mendes de Abreu
BONIFRATES:
A arte de fazer teatro


Contra vento se marés, a Bonifrates tem mais de vinte anos de vida. E vividos a sério, ao ritmo que as causas verdadeiras impõem.

Mobilizou, para o seu projecto, os que são pólos vitais desse processo magnífico: os textos, que escolheu, diversos e ricos; o palco, que lhes deu, pelo entusiasmo da juventude e da qualidade, eco e espaço, para um público, que não deixou também de se render e esta eterna magia que é o teatro.

Maria de Fátima Silva





DA IBÉRIA SECTOR 5 aos CROMOS... pintaram QUADROS. NEGROS? Por sinal só um... mas... tal como todos os outros… brilhante!

Vi nascer a companhia e tenho, sempre que possível, acompanhado o seu trabalho. Coimbra merece um grupo como a Bonifrates. Quem, como eu, acredita que o teatro é das melhores escolas de formação cívica e humana, só pode dizer: Obrigado pelo vosso trabalho!

José Vieira Lourenço
À BONIFRATES aqui expresso o meu reconhecimento e homenagem pelo muito que tem feito, em Coimbra, a favor da Cultura e da Cidadania. O Teatro, que tem levado à cena desde 1980, é um marcante exemplo de sensibilidade e inteligência, de intervenção cívica e comprometimento ético. Autores clássicos, que se identificam com a própria cultura nacional e universal, autores contemporâneos, expressão das interrogações e inquietudes que atravessam os tempos de hoje, que são de ruptura e de procura, a todos eles a BONIFRATES, espaço vivo e interveniente, deu vida nas tábuas do palco: desde a Ibéria-Sector 5, em 1980, até aos Cromos deste presente ano de 2002.

Coimbra e a BONIFRATES estão de bem uma com a outra! Por mais de duas décadas, contribuiu sempre em alto registo para que a magia do Teatro nos tocasse e estimulasse. Vejo, na sua acção prestigiada, a memória do sortilégio que foram o TEUC, com Gil Vicente, o CITAC, com Calderon. Mais ainda, a BONIFRATES deu uma nova e enriquecida forma à ligação entre Universidade e Cidade, que interessa preservar e melhorar. São cidadãos de Coimbra, trabalhando dentro e fora da Universidade, que dando as mãos têm mantido esta magnífica realidade, com o apoio de muitas e relevantes instituições, em que sobressai a Câmara Municipal de Coimbra.

Com o meu sincero obrigado, faço votos para que a BONIFRATES continue a encantar-nos e a fazer-nos reflectir através da arte e fascínio das suas representações.

Carlos Sá Furtado
 



 

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